Recursos para a Educação em Ciências
    Banca da Ciência | Experimentoteca | Mão na Massa
 

Dengue: Educação, Comunicação e Mobilização na Perspectiva do Controle - Propostas Inovadoras

Maria Ligia Rangel

Resumo

Levantam-se aspectos críticos das práticas de educação, comunicação e mobilização comunitárias realizadas para o controle do dengue no Brasil, tema de grande relevância na atualidade, em um contexto que desafia a sociedade a encontrar formas eficientes de controle. Foi consultada a literatura pertinente, encontrando-se 22 artigos publicados nas bases BVS Saúde Pública, no período de 1977 a 2006, concentrados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Na análise crítica foram considerados os seguintes aspectos: modelo de comunicação que fundamenta as práticas de comunicação e educação; modelo explicativo de saúde e doença; modelo de prevenção; e modelo de participação social/relação Estado/Sociedade. Apresentam-se desafios relacionados à mudança cultural, parte do processo de construção do sistema de saúde brasileiro democrático, descentralizado e eficiente. Assim, as soluções não se restringem às opções técnicas. É necessário rever os princípios que modelam as práticas, no sentido de torná-las mais eficientes.

Resenha

Atualmente, a comunicação e a educação é vista como circulação e significação de signos entre diversos emissores/receptores de mensagens, fazendo com que saberes sejam construídos e compartilhados por todos.

Ao pensarmos em atividades de comunicação, educação e mobilização social em saúde é necessário ressaltar que diversos significados e entendimentos fazem parte desses termos e devem ser considerados para que ações na área de saúde possam dar certo.

Em relação ao controle da dengue alguns problemas foram assinalados destacando os seguintes aspectos:

  • Modelo de comunicação e educação:

    As práticas de comunicação e educação são vistas como conhecimentos concentrados que devem ser difundidos a partir de um modelo vertical, com o intuito de que as pessoas mudem seus hábitos e comportamentos. Vemos que a cultura não é considerada. O que chega à população sobre a doença possui caráter de denúncia, porém deveria ser contínuo, mais informativo e claro, preenchendo as lacunas sobre o assunto.

  • Modelo explicativo de dengue no programa de controle

    Enfatiza o mosquito como causador da doença, fazendo com que a população esqueça que a água também está relacionada com o aparecimento do mosquito.

  • Modelo de prevenção

    Existem problemas na interpretação das mensagens para a prevenção do mosquito, as vezes também porque não fazem sentido no contexto em que são inseridas. Outro ponto que deve ser observado é que há uma grande quantidade de informações que tentam educar os hábitos domésticos, e provoca um saturação mostrando pouco eficazes.

  • Modelo de participação

    A participação da população é definida pelas autoridades sanitárias, pois essa deve contribuir com a inspeção sanitária. Assim, há um grande receio da população em deixar agentes dentro de suas casas. Outro ponto é que as pessoas tendem a subestimar as notícias que passam na mídia e acham que não é provável que aconteça com elas.

Novas práticas de comunicação e educação em saúde ligadas a dengue devem ser reinventadas para que possa haver uma mobilização social e então, fazer com que esses três eixos trabalhem integrados para que a prevenção e promoção de saúde melhore e que um diálogo exista entre população, agentes de saúde e profissionais.

Dados adicionais

Autores:  

Maria Ligia Rangel

Palavras-Chave:  

Dengue; Comunicação em saúde; Educação em saúde; Participação comunitária; Práticas de saúde.

Níveis de Ensino:  

Educação não-formal

Área:  

biologia

Tema:  

zoologia

Estudo do Meio:  

Espaços educativos não-formais,Comunidades,Fenômenos sociais

Revista ou Evento:  

Interface - Comunicação, saúde, educação

Volume:  

12

Número:  

25

Meses:  

abril/junho

Ano:  

2008

Página Inicial:  

433

Páginal Final:  

441

 
 

O CiênciaMão é um projeto de extensão universitária da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, com apoio da Universidade Federal de São Paulo e das entidades abaixo listadas. É coordenado pelo grupo de pesquisa Interfaces. Constitui-se em um repositório de recursos para a educação em ciências, voltado para educadores em geral. Os itens listados são cadastrados manualmente em um banco de dados, de acordo com diretrizes editoriais da coordenação do projeto.

 

EFLCH
Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

 

EACH
Escola de Artes, Ciências e Humanidades

Financiamento e apoio:


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Copyright © 2006-2013 Universidade de São Paulo - Todos os direitos reservados